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Testemunho dado no Congresso Internacional da Nova Evangelização em Budapeste
de 16 a 22 de Setembro de 2007

O P. Placid Olofsson, húngaro, beneditino, de 91 anos, foi condenado em 1945, pelo tribunal militar do exército soviético que ocupava a Hungria, a 10 anos de trabalhos forçados no Gulag, sob acusação de "incitação ao assassínio". Regressado à Hungria, trabalhou como operário numa fábrica de caixas e na lavandaria de um hospital.

Extractos do testemunho:

"Quando o tribunal militar me condenou a 10 anos de trabalhos forçados, perguntei-me: "O que é que Deus quer de mim? Eu queria cumprir a Sua vontade mas pensava que Ele não a transmitiria através de um tribunal militar comunista....  Rezei: qual é a tua vontade? Quero realizá-la. Mas Deus não se apressava a responder-me; Ele tem a eternidade toda para Ele...

... No Gulag, os soldados soviéticos ordenaram-me que limpasse as latrinas e os corredores. Pensei: "Bom, tenho três diplomas mas posso mesmo assim limpar as latrinas e os corredores..." Finalmente foi bom para mim porque assim podia apanhar um pouco de ar. Depois comecei a cantar canções húngaras no corredor. Não aconteceu nada... o Espírito Santo disse-me que os soldados não compreendiam húngaro. Então pensei que podia cantar dizendo que eu era um padre católico que limpava os corredores... Entre os presos, havia 32 condenados à morte. Cantei que era um padre católico e que podia confessar. Outrora a absolvição era em latim; encontrei uma canção húngara e com essa melodia eu cantava "Eu te absolvo..."

... Compreendi que não estava ali por causa dos soviéticos, mas que era um instrumento de Deus, um missionário no Gulag. Deus foi tão bom para mim: fortaleceu-me na minha missão. ...

Quando os meus companheiros de prisão souberam que eu era um padre católico, falámos muito. Queríamos sobreviver àquele inferno. Para isso estabelecemos 4 regras.

Primeira regra: não dramatizar o nosso sofrimento, porque isso nos enfraqueceria. Quando alguém se queixava, nós dizíamos "Fala do teu trabalho". Em 10 anos aprendi vários ofícios: mineiro, encadernador, ...

... Segunda regra: ver as pequenas alegrias da vida. Não era nada fácil, tínhamos de aprender. Estávamos no ano dos jogos olímpicos de Helsínquia. Decidimos que aquele que tivesse encontrado um maior número de pequenas alegrias seria o campeão olímpico. Tivemos um campeão olímpico que encontrou 16! E ele disse-nos: "Hoje não tive tempo de sofrer!"

...Terceira regra: não dizer "Estou inocente, os outros é que são maus e querem destruir-me" Era preciso esquecer estas noções. Só podíamos dizer quem era pequeno e quem era forte. Se não concordo com o vencedor, o tribunal soviético, tenho que lhe mostrar que sou melhor que eles.

Quarta regra: evangelizar. Não podemos viver sem Deus. Ele ajuda-nos a sobreviver nos nossos sofrimentos.

No Gulag, poder celebrar a santa Missa teria sido para mim o maior presente de Deus. Como poderia consegui-lo? Para celebrar a Eucaristia, é preciso um padre ordenado - eu era. São precisos os textos da missa, naquele tempo em latim; eu sabia-os de cor. É preciso pão e vinho: Onde encontrá-los? Um dia vi um dos meus companheiros de prisão recusar-se a comer. Perguntei-lhe: "Queres suicidar-te?" Ele responde-me que é judeu e que antes do Yom Kippour só pode comer pão ázimo que recebe de Moscovo. Então lembrei-me que Jesus na última ceia, utilizou pão ázimo. Se isso tinha sido bom para Jesus também era bom para mim! Pedi à Comunidade judaica para me enviar também pão ázimo. Interessante: um padre beneditino da Hungria, no Gulag, celebrar a Eucaristia com pão ázimo da comunidade judaica de Moscovo! Mas não tinha vinho. Um dia chegou um padre jesuíta. Eu disse-lhe: "Não me quero queixar, mas tenho um problema, não posso celebrar a Eucaristia. Ele disse-me: na Hungria, não sabe que o Papa Pio XII disse em 1942 que, em circunstâncias especiais, a Santa Missa pode ser celebrada com sumo de uva?" Um companheiro tinha recebido uvas como prenda. Espremi-as e pude celebrar a Eucaristia. Foi uma alegria imensa para mim e para os meus companheiros. Durante 8 anos celebrei assim a Missa (durante a noite) e nunca fui apanhado... No Gulag havia todo o tipo de pessoas, especialmente ateus. Mas os que saíam da prisão, já não saíam descrentes. Eles tinham compreendido que o Bom Deus tinha muita imaginação para nos ajudar.
... Tenho 91 anos, e não posso dizer senão "obrigada meu Deus!"

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E quem esteve presente durante este testemunho ficou tocado pela transparência, pela paz e pela alegria que irradiavam do olhar deste sacerdote    

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